Vanessa Dalenogar dos
Santos
Isabela
era uma garota de 15 anos, com cabelos castanhos escuros e olhos cor de mel.
Morava numa casinha humilde em São Paulo, com a mãe Zilda, pois seu pai havia
morrido num trágico acidente quando ela tinha 11 anos. Era pobre, mas estudava
numa das melhores escolas da cidade. Era uma garota de poucas amizades, ali na
escola só tinha como amiga Priscila, que diferente dela era rica e vivia na
mordomia. As outras amigas eram do Paraná, da cidade onde ela morava até a
morte de seu pai. Uma delas era Letícia, que era sua amiga desde os quatro
anos, e que apesar da distância nunca haviam perdido contato, sempre teclavam
no msn, e no celular.
Ela
confiava muito em Priscila, sempre compartilhava suas tristezas e alegrias com
ela, mas o que ela não sabia é que Priscila não era tão confiável nem amiga
como ela imaginava, ela andava com Isabela só para atrair olhares e cantadas
dos meninos da escola. Isabela além de muito bonita, encantava muitos com sua
simplicidade e graciosidade, e isso era tudo o que Priscila não tinha.
A
escola onde a menina estudava era composta por estudantes que pertenciam a
famílias nobres, eram poucos os humildes como ela, por isso ela era muito
julgada, além de não andar em baladas, não tinha uma família conhecida, nem bem
sucedida, sua mãe trabalhava muito para dar uma vida estável para ela, já que
criava a moça sozinha desde os seus onze anos. Ela era muito admirada pelos
garotos do 3º ano do ensino médio, mas só um deles, mexia com seu coração. Era
Bernardo, um moço alto, cabelos claros, e olhos azuis.
No
recreio Isabela sempre sentava num banco cor-de-rosa, em frente ao parquinho da
escola, e foi numa manhã de segunda-feira que falou pela primeira vez com
Bernardo, ele chegou lindo e charmoso como sempre, puxou conversa, e eles
conversaram como dois velhos amigos. Isabela não conseguia esconder seu
sorriso, foi correndo contar para Priscila, que não gostou nada do que ouviu,
já que sempre foi afim do gato, mas fingiu felicidade para não fazer com que a
amiga desconfiasse.
Alguns
dias se passaram, Bernardo e Isabela se aproximaram muito, e foi numa tarde
ensolarada de sexta-feira que ela recebeu um convite dele, para irem dar um
passeio pela cidade, ela, claro, aceitou na hora. Foi aí que rolou o tão
esperado primeiro beijo, muito romântico. Eles tomaram sorvete, andaram na
praia, riram, cantaram. Já estava anoitecendo quando o inesperado aconteceu,
Bernardo pediu Isabela em namoro, parecia cena de filme, ela com uma cara de
espantada, perplexa e sem reação, somente depois de alguns segundos que ela
começou falar, e falou, abriu seu coração, falou de tudo, que era afim dele a
muito tempo e que não esperava que aquilo acontecesse, mas o mais importante,
aceitou seu pedido. Os dois se despediram com beijos calorosos e apaixonados, e
ela foi embora feliz, mas pensativa, com um pouco de medo, pois lembrava-se que
nunca Bernardo havia namorado alguém, ele não costumava firmar compromissos,
mas então resolveu pensar que ela era privilegiada, que ele gostava mesmo dela.
A
primeira coisa que a garota fez, foi contar pra amiga Priscila, que ficou
espantada e se mordendo de inveja, mas foi falsa, como sempre. Bernardo passou
a freqüentar a casa de Bela, mas ela se sentia meio mal com sua presença lá,
pois sabia que a casa dele era muito mais bonita, que seu quarto tinha tudo, e
que tinha várias serventes, mas procurava pensar no amor que os dois sentiam,
que era mais forte, que tudo.
Dona
Zilda, não aprovava muito o tal namoro, porque começou notar diferença em sua
filha, notou que ela parecia querer ser outra pessoa, era mais respondona, mais
maldosa, não era mais simples como antes, e tinha certeza que o culpado era o
novo namorado.
Seis
meses se passaram, e Priscila estava decidia que iria separar Bernardo e
Isabela, definitivamente. Seu plano estava bolado, e foi num lindo sábado de
sol que ela entrou em ação. Mandou um torpedo para Bela como se fosse Bernardo,
marcando um encontro na casa dele naquela tarde. Priscila sabia que os pais de
Bernardo estavam viajando e que só estavam as cozinheiras em casa, então deu um
jeito de entrar pelos fundos. Muito cautelosa, pôs no suco da tarde de Bernardo
um “boa noite cinderela”, e esperou que a emprega levasse para ele tomar,
enquanto isso ficou escondida no banheiro. Bernardo apagou-se, e Priscila
invadiu seu quarto, tirou o vestido azul que vestia, ficando só de lingerie,
tirou também a camiseta de Bernardo, se deitou ao seu lado, como se fossem um
casal de pombinhos apaixonados, e esperou que Bela chegasse. Ela chegou, viu a
cena e ficou sem expressão, parecia que o mundo havia desabado, e tivessem
tirado dela, seu chão. Ela chorou muito, ficou depressiva pensando que tinha
sido traída pelo namorado e pela melhor amiga.
Isabela
mudou mais ainda, se transformou numa pessoa sem coração, e prometeu vingança. Vingou-se,
e da pior forma. Certo dia, com sua vingança já bolada, pegou o revólver que
seu velho pai escondia no armário, foi ao lugar onde marcou com os dois, e
matou. Com um só tiro em cada um, acabou com a vida do amado, da sua falsa
amiga, e por fim, botou o cano do revólver na sua própria cabeça e atirou, sem
dó e sem medo. Três jovens mortos. É, às vezes o preço de uma traição, é caro.
Muito caro.