Antonio de Araujo
Filho
Lucas Milani de
Castro
Armando era grande amigo de Juliano, ele morava em sua
casa e usufruía de tudo o que era seu, desde comida até seu dinheiro. Armando
era folgado, não trabalhava, gostava muito de sair para baladas, dormia o dia
inteiro e não mexia um dedo para ajudar seu amigo. Já, Juliano, muito ao
contrário de seu inquilino. Era um grande juiz, muito famoso e que resolvia
casos de grande repercussão nacional, se esforçava muito por sua profissão e queria
crescer ainda mais em sua carreira.
Em uma noite de sexta feira, às 10 horas tudo ocorria
normal, como sempre, Armando estava fazendo o aquecimento para a balada do dia,
tomava algumas caipiras, também comeu. Logo foi tomar uma ducha e se arrumar.
Juliano já descansava e estava próximo de pegar no sono, lia um livro de Lucas
Castro, famoso escritor de época, era um de seus autores favoritos e muito bom.
Não demoraria muito tempo e ele estaria
dormindo, porém seria acordado por Armando, que pediu a chave de seu Honda
Civic comprado zero a 2 meses. O juiz ficou contrariado, mas acabou cedendo a
pressão de seu amigo. Armando agradeceu seu amigo e foi feliz, desceu pelo
elevador, avistara algumas mulheres, porém achou que era muito cedo para se
enrolar, teria uma grande noite e ainda iria se encontrar com muitas garotas
lindas. Quando chegou ao estacionamento, seus olhos reluziram e ao ver o carro,
entrou e saiu dando cavalos de pau, como de costume. Passou na casa de alguns
amigos e depois foi a grande festa.
Chegou uma hora em
ponto, já estava lotado e pelo que Armando pode ver cheio de lindas mulheres. Ele foi ao bar para
beber Martini, que era sua bebida preferida, acabou se empolgando e dentro de
uma hora já estava bêbedo e totalmente
fora de si. Dançava loucamente, bebia loucamente, chegou a provar drogas o que
nunca tinha consumido. Encontrou se com várias lindas mulheres. Passaram se
muitas horas e já estava perto das 5 horas quando foi embora ainda mal, não
tinha ideia do que fazia e com quem estava. Duas lindas loiras saíram junto com
ele. Até ai Armando conseguia lembrar-se
da noite anterior. O que não sabia era o que havia acontecido após esse momento,
que não poderia ter sido algo bom pois, quando acordou, com uma grande ressaca
e sujo, estava em um lugar desconhecido com
as duas meninas que teria saído da boate. Elas estavam mortas e o lugar
estava jorrado de sangue. O inquilino de Juliano ficou desesperado e saiu porta a fora enxergando o Honda de seu amigo atrás de um galpão
próximo. Dirigiu por uma estrada de terra até sair em uma estrada asfaltada.
A via não era movimentada, percebeu assim que não estava
muito perto de casa, uma vez que São Luiz Gonzaga sempre estava agitada. Dirigiu
por 40 minutos e chegou a Mato Queimado, uma pequena cidade, na qual havia
estado quando era criança nos jogos escolares. Sabia que caminho pegar para
chegar a sua cidade, demorou mais 25 minutos.
Chegou a São Luiz e foi diretamente, é claro, para casa,
onde estava Juliano preocupado, que o questionou muito. Eles discutiram, quase
trocaram socos, Armando fez retirada estratégica para não ser castigado, foi
ao banho e cama.
Acordou no outro dia, um domingo. Tomou banho e foi ao café. Juliano estava lá, resolveu pedir
desculpas, pois estava de favores na casa de seu amigo. Ficaram de bem, Armando
ficou feliz. Começou a ler o jornal, enquanto conversava com Juliano, que
contou lhe da história de duas garotas que haviam sido assassinadas em uma casa
abandonada não muito longe dali. Armando ficou em choque, veio a sua mente a
imagem das duas meninas mortas com quem acordou na noite passada, ficou
perplexo, porém quieto. Juliano viu sua preocupação e perguntou se tinha
ocorrido algo, ele negou. O juiz da casa falou que iria averiguar o que tinha
acontecido às mulheres no dia seguinte. Armando resolveu se deitar, achava que
os problemas poderiam desaparecer, uma ilusão. Acordou de tarde, porém cada vez
mais as notícias sobre a morte das
loiras corriam pela cidade. O dia acabou rápido e em poucas horas estaria mais
informado por Juliano.
No dia seguinte, os dois se levantaram cedo, Juliano
porque tinha um grande trabalho pela
frente e seu amigo porque não teria pegado no sono a noite inteira. Tomaram
café juntos e Juliano foi ao fórum, onde provavelmente se informaria sobre o
caso. Armando ficou em casa, preocupadíssimo com a situação que estava
envolvido e pensou muito.
Ao meio dia seu amigo voltou, ele o informou que o caso
estava em investigação, e que o delegado e vários inspetores estavam empenhados
para esse caso, por ser ter sido uma grande brutalidade com as meninas, os corpos
e o local estavam ensanguentados. Armando se preocupou ainda mais, ficou
aterrorizado com a ideia de que podia ter sido ele que matou aquelas garotas.
Durante alguns dias o caso vinha sendo comentado na
cidade e finalmente por meio de muitas investigações, surgiram alguns suspeitos
que não foram noticiados, mas que seriam interrogados. Armando pensou em fugir,
mas se fosse apontado como um dos suspeitos isso poderia apontar para ele. Portanto
a alternativa foi descartada. O baladeiro ficou com muito medo e torcia para
que não tocassem a campainha do apartamento, porém no começo da tarde um
oficial bateu a sua porta com uma intimação para depoimento na única delegacia
da grande cidade, que aconteceria no dia seguinte.
Ele temia, esperava que não descobrissem da noite
ocorrida com as garotas assassinadas e que o resto de sua vida, seu futuro o
destinassem a uma prisão. Porém, não restando opções teria de ir à delegacia.
Não acordou no dia, porque não teria dormido, tremia, e
se torturava por não se lembrar da noite em questão, tomou um banho gelado e se
preparou para o que ouviria. Saiu meia hora mais cedo, a cidade era pequena e
podia ir a pé a qualquer lugar. Chegou em 10 minutos e ficou esperando pelo que
viria, logo o chamaram e ele ficou frente a frente com o delegado, arrepiou-se.
Foi metralhado de perguntas, como era um jovem sem experiência de vida e muito
menos com este tipo de situação, revelou muitos detalhes. Acabou por se
entregar sem apelar e nenhuma reação, advogado algum teria o ajudado. Porém o
que não entendia era o porquê não se recordava daquela noite.
A cidade era pequena e o julgamento seria ali mesmo, e o
único juiz da cidade era Juliano. Seu futuro a partir de agora estaria na mão
de seu melhor amigo. O que seria dele
dali para frente!
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