quinta-feira, 9 de agosto de 2012

UMA LEMBRANÇA E UM ARREPENDIMENTO


          Braiane Lopes Gorski

           Eu era uma menina jovem, não conhecia as coisas da vida. Aos 14 anos tive o meu primeiro namorado, conheci ele na escola, quando estava na 8ª série, eu estava apaixonada, e ele era mais velho que eu, tinha 17 anos. Mas por ele ser mais velho, meus pais não me deixavam namorar com ele, foi então que eu e ele resolvemos fugir para ficarmos juntos.

Quando saímos de casa, não tínhamos ideia para onde iríamos, pegamos a avenida e fomos andando até cansarmos. Depois de uma hora e meia caminhando, começou a chuviscar, então vimos um galpãozinho abandonado e entramos lá para esperar a chuva parar.

Já era noite, não sabíamos se alguém estava preocupado conosco, mas a cidade era grande, demoraria para alguém nos encontrar aqui.

Era uma noite fria, e não tínhamos como nos esquentarmos, fomos tentar dormir, e como estava frio ficamos bem juntos. Como ele era mais velho, ele queria mais que apenas beijos, mas eu me achava muito nova pra saciar os desejos dele, mas não queria decepcioná-lo. Ele começou a tirar sua roupa, e  já veio tirar a minha também, fiquei sem saber o que fazer, e ele me falou ‘feche os olhos e deixe comigo’. Eu achei o máximo o que ele estava fazendo.

A noite passou e quando amanheceu estava um lindo dia, o sol radiando no alto, parecia ser meio dia quando acordamos. Estávamos com fome, então com o dinheiro que tínhamos compramos algo para nós comer. E continuamos andando, a procura de um lugar para ficarmos.  

Lembro exatamente de tudo o que aconteceu, e como ele morreu, de uma doença rara e sem cura, 3 meses depois daquela noite.

Eu sentia enjoos e desejos estranhos, não sabia o que estava acontecendo. Sozinha, voltei para minha casa, e tive medo de contar para minha mãe tudo o que acontecera. Minha mãe ficou muito feliz quando me viu, mas ficou com raiva também, por ter sumido por tanto tempo sem dar noticias.

A partir daí eu voltei a estudar e recuperar todo o tempo perdido. Muitas noites eu passava em claro, pensando e sentindo saudades dele.

Minha mãe percebeu o que estava acontecendo comigo, e decidiu que íamos ao médico. Ela ficou furiosa, querendo saber o que tinha acontecido, contei tudo pra ela. Passou algum tempo e minha barriga estava bastante crescida, o bastante para perceberem o que se passava.

Fiquei em casa por um bom tempo, até que resolvi ficar escondida, fui morar pra fora com minha avó até isso ter um fim.

Hoje eu tenho 18 anos, e uma filha de 4. Me arrependo de ter fugido de casa e não ter escutado meus pais. Aguento as consequências pois amo minha filha. 

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