quinta-feira, 9 de agosto de 2012

TRAIÇÃO DE AMOR

Bruna Machado de Oliveira
Rosiane  Morais Carlotto



                                                   Numa madrugada fria, Gelson Pasquini saiu de seu quarto a procura de sua esposa Maria Inês, que havia saído do quarto a algum tempo. Não a achou dentro da casa e então foi procurá-la na senzala, porque ela tinha uma mania de tratar bem os escravos. Antes de ir para a senzala, ele chamou seu braço direito, um empregado que não era muito velho, mas era desgastado pela vida, para ir atrás da sua esposa que tinha desaparecido.

                                                   Como a fazenda era enorme, eles demoraram para encontrá-la, depois de meia hora eles foram procurá-la na estrabaria. Eles avistaram a mulher sobre as alfafas com o seu vestido rasgado sobre o seu colo e a saia do vestido toda erguida e seu escravo no lado dela parecendo estar envolvendo-a sobre seus braços. Nisso, o fazendeiro Gelson Pasquini pegou sua esposa pelo braço e levou até um canto da estrebaria, pegou uma espingarda que estava pendurada na parede. Sua esposa com medo da morte gritava para o escravo para que ele a salvasse. Gelson pegou e preparou a espingarda, quando por trás dele chegou o seu empregado impedindo que ele matasse a mulher. Enquanto os dois discutiam, o escravo fugia com a mulher, de repente ela foi atingida por uma bala.

                                                   Gelson Pasquini era um homem de aproximadamente trinta e três anos que tinha herdado uma boa fortuna do pai, e Maria Inês era uma mulher muito bonita, que contava com vinte e seis anos de idade. Os dois haviam se casados novos, ela ainda menor. Tiveram uma filha apenas, a Joanita, que contava com doze anos. Viviam num casamento sem muito ânimo, mas por parte de Maria Inês, que tinha se casado por ordem dos pais. Gelson se apaixonou logo que a viu na casa de seus pais e vivia até hoje numa paixão basicamente doentia que parecia ter cessado logo após o incidente da estrebaria.

                                                   Na capital, um delegado queria investigar o fazendeiro, mas não queria levantar falsas suspeitas, ele pensou que uma mulher, pela beleza, conseguisse entrar melhor para dentro da casa de Gelson. O delegado contratou uma moça mestiça e muito atraente para ser a suposta investigadora. Ele explicou para ela suas condições, como seria o pagamento e como ela devia trabalhar.

                                                   Algumas semanas depois, as coisas na fazenda dos Pasquinis havia piorado, pois Gelson estava sendo muito perverso com os escravos. No tempo de Maria Inês as coisas eram melhores, pois ela defendia a abolição. Gelson Pasquini estava abusando de negras atraentes e fazendo seus escravos trabalharem mais que o possível para um ser humano. O paradeiro do escravo que estava com Maria Inês ninguém sabia.

                                                   Em uma tarde, apareceu na fazenda um fazendeiro que não era conhecido do Gelson, oferecendo-lhe a venda de uma escrava. A principio Gelson não aceitou a proposta, pois não estava precisando de escravos. Vendo a situação o delegado que havia chegado lá como fazendeiro, ofereceu novamente a escrava por um preço muito bom para o fazendeiro. Negócio feito. Na semana seguinte, chegou à fazenda a tal escrava, Gelson teve uma surpresa com sua beleza e a semelhança com os olhos da sua falecida esposa. Ana Maria era o nome da suposta escrava. Ela era muito atraente, tinha lindos olhos verdes e uma pele morena que atraia a qualquer olhar. Tinha um corpo de não botar defeito. Quando Gelson viu a escrava decidiu na mesma hora que ela iria trabalhar dentro da casa como companheira de sua filha Joanita. Tratou logo de recebê-la com um olhar de malícias.

                                                   Passada uma semana, Ana Maria havia se entrosado muito bem na casa. Havia feito amizades com os escravos e sempre procurava saber como era a vida dos patrões antes do acontecimento, e ela também havia se tornado grande amiga de Joanita. Gelson continuava a olhar para ela com o mesmo olhar do dia da chegada.

                                                   Certa noite, seu patrão foi chamá-la, ele estava um pouco alterado e segurava um copo de vinho. Chegando ao quarto de Gelson, ele começou a se despir e mandou que ela se deitasse. Ela, com muito medo do acontecimento, resolveu entrar no jogo dele. Fez com que ele bebesse de mais, quando ela viu que ele estava no ponto de poder confessar tudo para ela, ela começou a conversar com ele perguntando de sua falecida esposa. Ao longo da conversa, ela começou a perceber uma certa comoção em Gelson. Ele confessou a ela que era loucamente apaixonado por sua esposa e que ainda tinha muitas lembranças do seu casamento e que não entendia os motivos que levaram a sua esposa a traição. Ele perguntou a ela como estava sua filha, ela respondeu que estava com muito medo da situação e que não reconhecia mais as atitudes do pai.

                                                   Saindo daquele quarto sem ter sido tocada por ele, ela concluiu que nunca um homem como aquele podia ter matado aquela mulher. Ela tratou logo de enviar uma carta para o delegado. Ao ler a carta, o delegado concluiu que ela estava gostando de Gelson e que devia tirá-la de lá imediatamente. A viagem levaria alguns dia, pois o interior era longe da capital. Resolveu não enviar cartas para Ana Maria para ela não ter reações inusitadas.

                                                   Passado alguns dias, apareceu morto no mato o escravo amante da falecida Maria Inês. Ele estava todo machucado, parecia ter sido muito maltratado. Gelson queria jogá-lo no rio, mas foi impedido por Ana Maria. A partir daquele dia, Ana Maria passou a se envolver com Gelson, os dois estavam apaixonados.

                                                   Após alguns dias, o braço direito de Gelson, o Mario, que era o mesmo do dia da morte de Maria Inês, chegou no gabinete do fazendeiro pretendendo matá-lo. Quando Ana Maria chegou no gabinete ficou ouvindo a conversa dos dois. Mario confessou a Gelson que também era amante de Maria Inês e que por isso ele não queria deixar que ele a matasse. Gelson ficou surpreso e se questionando quem tinha então matado Maria Inês. Mario disse a ele que ele havia atirado nela porque ela estava fugindo com o negro e que não aguentaria isso, por isso atirou nela e logo depois levou o escravo para um casebre e lá torturou-o por dias e dias.

                                                   Mario estava a ponto de matar Gelson, quando Ana Maria atirou-se na frente do seu amado e foi atingida. O delegado estava chegando na casa, quando ouviu os tiros entrou rapidamente na casa pensando no pior. Quando entrou no gabinete, viu Ana Maria caída e imaginou o pior. Ele disse a Gelson quem ele realmente era, Gelson explicou para o delegado o que tinha acontecido. O delegado pediu para seu homens que prendesse Mario que estava fugindo e contou para Gelson quem realmente era Ana Maria. Gelson ficou surpreso, foi até o quarto onde Ana Maria estava sendo tratada, ela estava gravemente ferida, ele ajoelhou-se e prometeu a Deus que iria perdoá-la se ela conseguisse sobreviver, pois já tinha tido uma prova de seu amor.

                                                   Ana Maria recuperou-se aos poucos. Logo depois de sua recuperação, Gelson Pasquini contou a filha sobre o relacionamento. A filha aceitou, pois era uma grande  amiga de Ana e que agora seu pai estava perdoado, pois não tinha matado sua mãe. Ele também anunciou para todos os escravos e familiares a sua nova mulher e grande amor Ana Maria Pasquini.

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