quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O PREÇO DA TRAIÇÃO


Vanessa Dalenogar dos Santos


Isabela era uma garota de 15 anos, com cabelos castanhos escuros e olhos cor de mel. Morava numa casinha humilde em São Paulo, com a mãe Zilda, pois seu pai havia morrido num trágico acidente quando ela tinha 11 anos. Era pobre, mas estudava numa das melhores escolas da cidade. Era uma garota de poucas amizades, ali na escola só tinha como amiga Priscila, que diferente dela era rica e vivia na mordomia. As outras amigas eram do Paraná, da cidade onde ela morava até a morte de seu pai. Uma delas era Letícia, que era sua amiga desde os quatro anos, e que apesar da distância nunca haviam perdido contato, sempre teclavam no msn, e no celular.

Ela confiava muito em Priscila, sempre compartilhava suas tristezas e alegrias com ela, mas o que ela não sabia é que Priscila não era tão confiável nem amiga como ela imaginava, ela andava com Isabela só para atrair olhares e cantadas dos meninos da escola. Isabela além de muito bonita, encantava muitos com sua simplicidade e graciosidade, e isso era tudo o que Priscila não tinha.

A escola onde a menina estudava era composta por estudantes que pertenciam a famílias nobres, eram poucos os humildes como ela, por isso ela era muito julgada, além de não andar em baladas, não tinha uma família conhecida, nem bem sucedida, sua mãe trabalhava muito para dar uma vida estável para ela, já que criava a moça sozinha desde os seus onze anos. Ela era muito admirada pelos garotos do 3º ano do ensino médio, mas só um deles, mexia com seu coração. Era Bernardo, um moço alto, cabelos claros, e olhos azuis.

No recreio Isabela sempre sentava num banco cor-de-rosa, em frente ao parquinho da escola, e foi numa manhã de segunda-feira que falou pela primeira vez com Bernardo, ele chegou lindo e charmoso como sempre, puxou conversa, e eles conversaram como dois velhos amigos. Isabela não conseguia esconder seu sorriso, foi correndo contar para Priscila, que não gostou nada do que ouviu, já que sempre foi afim do gato, mas fingiu felicidade para não fazer com que a amiga desconfiasse.

Alguns dias se passaram, Bernardo e Isabela se aproximaram muito, e foi numa tarde ensolarada de sexta-feira que ela recebeu um convite dele, para irem dar um passeio pela cidade, ela, claro, aceitou na hora. Foi aí que rolou o tão esperado primeiro beijo, muito romântico. Eles tomaram sorvete, andaram na praia, riram, cantaram. Já estava anoitecendo quando o inesperado aconteceu, Bernardo pediu Isabela em namoro, parecia cena de filme, ela com uma cara de espantada, perplexa e sem reação, somente depois de alguns segundos que ela começou falar, e falou, abriu seu coração, falou de tudo, que era afim dele a muito tempo e que não esperava que aquilo acontecesse, mas o mais importante, aceitou seu pedido. Os dois se despediram com beijos calorosos e apaixonados, e ela foi embora feliz, mas pensativa, com um pouco de medo, pois lembrava-se que nunca Bernardo havia namorado alguém, ele não costumava firmar compromissos, mas então resolveu pensar que ela era privilegiada, que ele gostava mesmo dela.

A primeira coisa que a garota fez, foi contar pra amiga Priscila, que ficou espantada e se mordendo de inveja, mas foi falsa, como sempre. Bernardo passou a freqüentar a casa de Bela, mas ela se sentia meio mal com sua presença lá, pois sabia que a casa dele era muito mais bonita, que seu quarto tinha tudo, e que tinha várias serventes, mas procurava pensar no amor que os dois sentiam, que era mais forte, que tudo.

Dona Zilda, não aprovava muito o tal namoro, porque começou notar diferença em sua filha, notou que ela parecia querer ser outra pessoa, era mais respondona, mais maldosa, não era mais simples como antes, e tinha certeza que o culpado era o novo namorado.

Seis meses se passaram, e Priscila estava decidia que iria separar Bernardo e Isabela, definitivamente. Seu plano estava bolado, e foi num lindo sábado de sol que ela entrou em ação. Mandou um torpedo para Bela como se fosse Bernardo, marcando um encontro na casa dele naquela tarde. Priscila sabia que os pais de Bernardo estavam viajando e que só estavam as cozinheiras em casa, então deu um jeito de entrar pelos fundos. Muito cautelosa, pôs no suco da tarde de Bernardo um “boa noite cinderela”, e esperou que a emprega levasse para ele tomar, enquanto isso ficou escondida no banheiro. Bernardo apagou-se, e Priscila invadiu seu quarto, tirou o vestido azul que vestia, ficando só de lingerie, tirou também a camiseta de Bernardo, se deitou ao seu lado, como se fossem um casal de pombinhos apaixonados, e esperou que Bela chegasse. Ela chegou, viu a cena e ficou sem expressão, parecia que o mundo havia desabado, e tivessem tirado dela, seu chão. Ela chorou muito, ficou depressiva pensando que tinha sido traída pelo namorado e pela melhor amiga.

Isabela mudou mais ainda, se transformou numa pessoa sem coração, e prometeu vingança. Vingou-se, e da pior forma. Certo dia, com sua vingança já bolada, pegou o revólver que seu velho pai escondia no armário, foi ao lugar onde marcou com os dois, e matou. Com um só tiro em cada um, acabou com a vida do amado, da sua falsa amiga, e por fim, botou o cano do revólver na sua própria cabeça e atirou, sem dó e sem medo. Três jovens mortos. É, às vezes o preço de uma traição, é caro. Muito caro.

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