quinta-feira, 2 de agosto de 2012

AMOR


Ana Paula Morais de Melo



Irônico é quando alguém me pergunta sobre você. É claro que eu respondo que já nem lembro, que nunca mais pensei e tentando me fazer mais indiferente possível, digo que foi bom, mas passou. Pois é, quem dera se tivesse passado por inteiro. Eu posso dizer, jurar e prometer que nem penso em você, mas está na minha cara, não dá pra negar. Meus amigos me perguntam por que não estamos juntos e vivem dizendo que éramos lindos juntos. Sim, éramos e poderíamos ainda ser. No fundo, somos. Essa história mal terminada não devia ter tido esse fim. Não teve fim. E talvez tenha sido isso que me deixou com essa interrogação, impedindo que eu perca a esperança. Por que, convenhamos, com esse olhar, como é que você quer que eu te esqueça? E como quer que eu me convença de que não há nenhuma vontade sua de estar ao meu lado?



Eu sinto o seu cheiro toda vez que abraço meu travesseiro. Lembro das noites que dormi abraçada no seu moletom e parecia que você estava ali comigo. Sinto sua voz toda vez que escuto aquela música, a nossa música. É, ela era a nossa trilha sonora e ouvir no seu celular podia ser idiota na hora, mas por mais incrível que pareça eu sinto falta. Ah, sinto também saudade sua, saudade de todas as simples coisas que você fazia por mim e sinto também muita falta da sua companhia. Sinto que você deveria estar aqui comigo.



A gente se vê dia lá, dia cá. Você me mente que sente saudade também e que adora estar comigo, eu vou me conformando com isso e estou feliz. Pelo menos me contento com sua companhia e alguns dias mato a saudade das épocas que era tudo real. Mas tem outra parte irônica nisso, depois de tantas decepções contigo, porque eu ainda não desisti de você? Isso tem nome.

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