Aline Corrêa Costa
Beber
Mithiele da Silva Scarton
Esta história aconteceu no
tempo em que a noite não existia e os sinos da igreja Mondeler batiam levemente
um contra o outro, fazendo um barulho tão majestoso quanto o barulho da chuva
sobre o solo.
Mesmo quase sem ninguém
saber, lá na torre mais alta da igreja vivia alguém que parecia ser frágil,
porém era um bravo homem chamado Alberth, sendo ele abandonado por sua mãe na
porta da igreja, quando ainda bebê. Por sorte ele foi encontrado por um padre
que resgatou-o e o criou dentro da igreja sem que ninguém soubesse, visto que o
menino tinha uma fisionomia um tanto esquisita: ombros caídos, cego de um olho,
uma corcunda enorme e estava muito machucado.
O padre se chamava
Bartolomeu e tinha uma outra ocupação que mantinha em segredo, esta era fazer
intrigas da vida alheia, tornando-se uma pessoa arrogante na presença de
Alberth por querer que o mesmo seguisse sua vocação, que era a de ser padre.
Muito tempo se passa e o
rapaz de antigamente torna-se um homem, por isso capaz de amar uma mulher e ser
correspondido por esse fiel e doce amor.
Em uma comemoração na praça
da cidade ele resolve sair da igreja, quando pôs o pé para fora da grande
Mondeler, vê uma mulher tão linda quanto a lua que em uma noite haveria de
aparecer. Essa era Cristina, uma mulher sedutora, mas que ao mesmo tempo era de
coração nobre e por estar passando um momento crítico em sua vida acaba se
entregando a prostituição.
No momento ambos trocam
olhares, tornando-se de imediato um casal apaixonado. Porém surge um breve
pensamento vindo de Cristina, este era por que Alberth estava usando uma longa
capa que o escondia.
Ele tentando se esconder da
multidão acaba ficando assustado ao ver tantas pessoas, mas sempre cuidando
onde estará Cristina, até que em um momento Alberth não a vê mais, foi quando a
mulher mais bonita da festa aparece em sua frente e pergunta ao mesmo:
- Por que tu estás usando
esta capa que cobre não só teu corpo, mas também teu rosto?
Então a mulher toca nele
tirando a capa e descobre quem realmente é, que mesmo não sendo o homem de seus
sonhos, acaba ficando perdidamente apaixonado por ele.
O padre não gosta nada dessa
situação e tenta impedir quaisquer decisões, porém não consegue. Era tarde
demais, Alberth e Cristina haviam fugido em uma carroça e estavam bem longe de
lá. Mas o padre insiste em tentar pegá-los e não consegue, mesmo assim não
desiste, ele e seu grupo de capangas seguem destruindo várias aldeias, fazendo
ameaças a todos que o encontravam e oferecendo recompensa a quem encontrasse o
casal.
O padre, depois de anos de
procura por seu filho adotivo o qual tanto queria ver de batina, acaba
desistindo da procura. Viu que não era páreo para um amor tão forte.
Muito tempo depois, Alberth
descobre que está com uma doença incurável e acaba morrendo. Logo, Cristina por
não suportar a dor de perder o amor de sua vida, morre chorando sobre seu
caixão.
Depois do acontecido, surge
a noite que é Alberth e a lua é Cristina, e os dois mesmo depois de mortos, por
ser um amor tão forte e puro, continuaram para sempre juntos e o sino da igreja
de Mondeler nunca mais foi o mesmo.
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